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Mostrando postagens de abril, 2025

3º Domingo da Páscoa

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3º Domingo da Páscoa Jo 21,1-19  “EM VERDADE, EM VERDADE TE DIGO: QUANDO ERAS JOVEM, TU TE CINGIAS E IAS PARA ONDE QUERIAS. QUANDO FORES VELHO, ESTENDERÁS AS MÃOS E OUTRO TE CINGIRÁ E TE LEVARÁ PARA ONDE NÃO QUERES IR” No 3º Domingo do tempo pascal lemos o evangelho de Jo 21,1-19. Nesta perícope nos é contada uma aparição de Jesus aos apóstolos e podemos dividi-la em duas partes, sendo a primeira, dos versículos (vv.) 1-14 e a segunda parte dos vv. 15-19. Na primeira parte, os apóstolos voltam a pescar e Jesus aparece após uma noite de fracasso na pescaria; na segunda parte vemos Pedro confessar por três vezes o seu amor a Jesus. A primeira parte (1-14) são 3 os elementos importantes dessa pescaria: 1- o contraste entre o fracasso e a abundancia da pescaria após o convite de Jesus; 2- o simbolismo dos 153 grandes peixes; 3- a rede que não se rompeu. O milagre da pesca faz referência à missão e a sem...

Esperança e ferida: o toque de Deus

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Esperança e ferida: o toque de Deus A história humana é marcada pela constante busca de sentido diante da dor e da esperança, dimensões que, embora distintas, se entrelaçam e compõem a trama de nossa existência. Como seres frágeis, mas também sedentos de plenitude, muitas vezes esbarramos em limites que nos desafiam a interpretar nossas feridas à luz do amor de Deus. Um exemplo eloquente dessa dinâmica é o episódio do apóstolo Tomé, que se recusa a crer na Ressurreição do Senhor sem antes tocar Suas chagas (cf. Jo 20,25). Quando enfim Jesus se apresenta e o convida a colocar o dedo em Suas feridas, Tomé proclama: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28). Desse modo, o que parecia sinal de fraqueza se transforma em caminho de redenção e graça. O ato de “tocar as feridas” revela que Deus age justamente onde mais necessitamos de Sua presença. Acolher nossa vulnerabilidade, portanto, não é aceitar a derrota, mas abrir as por...

A misericórdia salva o mundo

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A misericórdia salva o mundo A fé cristã em Deus não parte de conceitos intelectuais puros, mas de uma experiência com Deus. Essa experiência, retratada na Sagrada Escritura, é a história da salvação vivida por pessoas e por todo um povo. Eis porque, para bem compreender nossa fé, é tão importante conhecer e compreender a Escritura. Nossa fé cristã católica nos diz que a misericórdia é um dos atributos de Deus, embora esse conceito não apareça, como tal, nos Símbolos da nossa fé. Também outras religiões, como o Islamismo, reconhecem que Deus é misericordioso e clemente. A Deus convém a misericórdia. E Deus nos trata com misericórdia. No entanto, isso nem sempre está claro no conceito geral que se tem de Deus. Com facilidade, contrapõe-se poder e misericórdia em Deus, como se esses dois atributos fossem excludentes; ou se opõe a justiça divina à sua misericórdia. A fé cristã não permite essa contraposi...

2º Domingo da Páscoa

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2º Domingo da Páscoa Jo 20,19-31 “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Estamos celebrando o tempo pascal, “os 50 dias, que vão desde o domingo da ressurreição até o domingo de Pentecostes, são celebrados no júbilo e na alegria, como único dia de festa, ou melhor, como o grande domingo. São os dias nos quais, de modo todo especial, canta-se o Aleluia.” No 2º domingo do Tempo Pascal lemos o evangelho de Jo 20,19-31, no qual, Jesus aparece aos 10 apóstolos (ausências de Judas, o traidor e Tomé que está fora). A comunidade encontra-se com medo ante um ambiente hostil e por não terem feito experiência com o Ressuscitado. O evangelho começa dizendo que “No primeiro dia de Semana” os discípulos estavam reunidos. Essa indicação faz referência ao primeiro dia da nova criação. Jesus visita os discípulos no mesmo lugar em que, durante a última ceia, tinha garantido que nã...

A Páscoa de Deus e a do homem

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A Páscoa de Deus e a do homem Os dias de Semana Santa com suas celebrações religiosas são marcados fortemente pela cultura da região mineira, em que estão presentes as tradições populares transmitidas pelos portugueses na colonização do Brasil. No entanto, muito além do que as procissões piedosas e o acompanhamento dos Passos de Jesus a caminho do Calvário nas Via-Sacra, destaca-se essencialmente a grande celebração pascal da paixão, morte e ressurreição de Jesus. O ápice litúrgico dessa grande celebração é o Tríduo Pascal, que envolve três momentos de um mistério em uma única celebração, começando na Ceia Pascal da Quinta-feira Santa, passando pelo sóbrio rito da Adoração da Cruz e culminando na Vigília Pascal, “a mãe de todas as vigílias”. O que significa esse rito da Páscoa? A Páscoa judaica Páscoa provém da palavra hebraica pesach, que indica a ação de passagem, e tem a su...

Morre o Papa Francisco

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 Morre o Papa Francisco, às 7h35 desta manhã (horário do Vaticano) Morre o Papa Francisco. O anúncio foi dado, com pesar, poucos instantes atrás diretamente da Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, por Sua Eminêcia, o cardeal Farrell, com as seguintes palavras: "Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza devo anunciar a morte de nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã, (horário do Vaticano) o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino." Ontem, domingo, o Pontífice apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem...

Domingo da Páscoa do Senhor

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Domingo da Páscoa do Senhor Jo 20,1-9 “De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos”   Na liturgia do 1º domingo do tempo Pascal lemos o evangelho de Jo 20,1-9. No relato vemos Maria Madalena, que no primeiro dia da semana, se dirige ao túmulo em que Jesus foi sepultado e se depara com o sepulcro vazio. O sepulcro vazio indica que Jesus não ficou prisioneiro da morte: ele ressuscitou. A perícope se inicia com a indicação cronológica: “no primeiro dia da semana”. Essa expressão indica que começou um novo ciclo – o da nova criação, o da Páscoa definitiva. Aqui começa um novo tempo, o tempo do homem novo, que nasce a partir da doação de Jesus. Maria Madalena representa a figura da nova comunidade que nasceu da ação criadora do Messias. Essa nova comunidade, testemunha da cruz, acredita, inicialmente, que a morte triu...

Vale a pena celebrar a Semana Santa?

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Vale a pena celebrar a Semana Santa? A Semana Santa é uma das celebrações mais importantes do calendário católico. Ela representa um momento de reflexão, penitência e renovação espiritual para os fiéis em todo o mundo. No entanto, diante das várias semanas “profanas” ao longo do ano, questiona-se: o que realmente vale a pena celebrar na Semana Santa? Os ritos e celebrações são importantes na prática católica, mas não podemos nos limitar a eles. Ser católico vai além de ir à missa aos domingos e em ocasiões especiais. É necessário viver o catolicismo em sua amplitude, ou seja, em todos os momentos da nossa vida. O Protocolo do Cristão – Mateus 25, como descrito pelo Papa Francisco, nos convida a aplicar as lições do Evangelho no cotidiano de nossas vidas. Mateus 25, por exemplo, nos ensina sobre a importância da solidariedade e do amor ao próximo. Também nos lembra que não podemos ser somente católicos de fachada, ma...

Domingo de Ramos

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Domingo de Ramos Lucas 23,1-49 Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?” Iniciamos a semana Santa com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. No Domingo de Ramos, da Paixão do Senhor, a Igreja entra no mistério do seu Senhor crucificado, sepulto e ressuscitado, o qual, ao entrar em Jerusalém, preanunciou a sua majestade. Os cristãos levam ramos em sinal do régio triunfo, que, sucumbindo na cruz, Cristo alcançou. De acordo com a palavra do Apóstolo: “Se com ele padecemos, com ele também seremos glorificados”, deve-se, na celebração e catequese deste dia, salientar o duplo aspecto do mistério pascal. [1] Na celebração deste domingo temos a proclamação de 2 evangelhos. O primeiro, se houver procissão, a narrativa da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Lc 19,28-40). O segundo, na liturgia da Palavra, o relato da paixão de Jesus segundo Lucas. O primeiro evangelho ...

Sacramento da Reconciliação: construir sobre as ruínas

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Sacramento da Reconciliação: construir sobre as ruínas Convidado a dirigir-vos algumas palavras neste nosso dia penitencial, faço-o com profundo respeito. Faço-o com espírito fraternal, buscando refletir convosco e preparar-nos juntos para nos aproximar do trono da graça e receber o oportuno auxílio da misericórdia (cf. Hb 4,16). Faço-o na certeza de que sou o menor entre vós, mas mais certo ainda de que o faço pelo poder da graça divina, que capacita os débeis para o exercício da pregação. Faço-o, por fim, movido pelo espírito de colaboração presbiteral, desejando ajudar o nosso corpo sacerdotal naquilo que seja a edificação e crescimento comuns. Para prepararmos para a recepção do dom do perdão, gostaria de meditar três pontos da Carta Encíclica Dilexit nos1 sobre o amor humano e divino do Sagrado Coração de Jesus, que nos presenteou o Papa Francisco. No Evangelho a pouco proclamado Jesus nos ch...

O antigo e bonito costume da velatio

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O antigo e bonito costume da velatio Com o início do tempo quaresmal, nosso espírito celebrativo se volta para uma maior contemplação e reflexão dos mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Em todas as nossas Paróquias e comunidades, nosso povo se reveste e se nutre de práticas e exercícios que traduzem, no seu dia-a-dia, este mesmo espírito quaresmal. Nas Igrejas, centro da fé e da celebração comunitária, o mesmo espírito se expressa na ausência da ornamentação floral e nos modestos símbolos que remetem a este tempo de preparação e de penitência que é a Quaresma. Um destes costumes presentes na raiz da piedade popular é de se velar as imagens e crucifixos neste período. Mas, para entendermos melhor o sentido deste costume, que vem perdendo a sua finalidade original, precisamos buscar qual é o sentido da presença das imagens e ícones em nossas Igrejas. Uma vez que estas não se fazem presentes no espaço sa...

5º Domingo da Quaresma

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5º Domingo da Quaresma Jo 8,1-11  “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. A liturgia do 5º domingo da quaresma nos convida a refletir sobre o evangelho de Jo 8,1-11. Esta perícope narra o episódio da mulher adúltera que está prestes a ser apedrejada. Os estudiosos das sagradas escrituras são unânimes em concluir que esta perícope não é de autoria de João, pois a linguagem e o estilo literário são diferentes do restante do evangelho. Seja como for, o cenário de fundo coloca-nos frente a uma mulher apanhada em adultério. De acordo com Lv 20,10 e Dt 22,22-24, a mulher devia ser morta. A Lei deve ser aplicada? É este problema que é apresentado a Jesus. Diante da situação Jesus não procura abrandar o pecado ou muito menos retirar a culpa da mulher. Cristo sabe que o pecado não é bom, pois gera infelicidade e rouba a paz. Porém, Jesus não compactua com a visão dos escribas e farise...

Mentir é doentio?

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Mentir é doentio? Falar a verdade nem sempre é fácil e a reação do outro pode não ser das melhores. Uma primeira questão que envolve a mentira nem sempre está ligada ao desejo antiético de querer prejudicar o outro. Às vezes “mentir” é uma forma disfarçada de “sedução”, que nasce do desejo de ser aceito pelo outro e de não perder o seu afeto. Este tipo de mentira na maioria dos casos não favorece quem mente; ao contrário, geralmente o prejudica. A origem desse tipo de mentira é um Ego frágil, que recorre ao “falso eu” (falso self), para sobreviver em um mundo que é percebido como ameaçador ou então como extremamente frágil, incapaz de “suportar a verdade do outro”. Isto não impede que existam tipos de “mentiras” cuja intenção é de fazer uso do outro e da realidade em favor do mentiroso. Neste caso a mentira é declaradamente antiética, pois visa prejudicar o outro ou, pelo menos, não se importa em prejudicá-lo. Este ...